Mesmo com o crescimento de novas opções de pagamento, como o Pix, carteiras digitais e links de pagamento, o cartão de crédito continua sendo essencial para o varejo brasileiro. Em 2025, pagamentos com cartões de crédito, débito e pré-pagos movimentaram R$ 4,5 trilhões no Brasil, em 48,1 bilhões de transações.
Só o cartão de crédito respondeu por R$ 3,1 trilhões e 21,6 bilhões de transações. Para muitos pequenos negócios, aceitar cartão de crédito facilita a compra para o cliente e pode ajudar a aumentar as vendas, especialmente em pedidos de maior valor ou compras parceladas. Sim, provedores de pagamento cobram taxas por transação, mas esses custos podem ser compensados pela conveniência oferecida ao consumidor, pela maior conversão e pela possibilidade de vender para quem prefere pagar no crédito.
Como funcionam os pagamentos com cartão de crédito?
Quando um cliente passa, insere ou aproxima o cartão de crédito em uma maquininha, ou digita os dados do cartão em um checkout online, o provedor de pagamento troca informações com os participantes da transação. Esse fluxo envolve o lojista, a adquirente ou subadquirente, a bandeira do cartão e o banco emissor, que decide se aprova ou recusa o pagamento.
O provedor de pagamento funciona como intermediário entre o lojista e o ecossistema do cartão. Em troca desse serviço, ele cobra taxas sobre as vendas, que podem variar conforme o tipo de transação, a modalidade de cartão, o prazo de recebimento, o parcelamento, o volume de vendas e o contrato escolhido.
No mercado de cartões, uma das taxas mais importantes é a MDR, ou taxa de desconto, cobrada dos estabelecimentos em transações de crédito ou débito. Segundo dados do Banco Central, a MDR média do cartão de crédito no comércio caiu de 2,32% no primeiro semestre de 2023 para 2,16% no primeiro semestre de 2025. No débito, a média foi de 1,14% para 1,08% no mesmo período.
Na prática, isso ajuda o lojista a ter uma referência de custo. Em uma venda de R$ 100 no crédito, uma MDR de 2,16% representaria R$ 2,16 em taxa antes de outros custos, como antecipação de recebíveis, parcelamento ou tarifas adicionais do provedor.
Se o pagamento for aprovado, a transação é capturada e segue para liquidação. Depois disso, o valor é repassado ao lojista na conta cadastrada, já descontadas as taxas. O prazo de recebimento pode variar conforme o provedor, o tipo de venda, o número de parcelas e a contratação ou não de antecipação de recebíveis.
Também é importante considerar o risco de chargeback, que acontece quando o cliente contesta uma compra junto ao emissor do cartão. Dependendo do caso, o valor pode ser estornado, e o lojista pode precisar apresentar comprovantes, dados do pedido e evidências de entrega para tentar reverter a contestação.
Como aceitar cartão de crédito
Antes de aceitar cartão de crédito, você precisa escolher uma solução de pagamento e cadastrar uma conta para receber os valores das vendas. No Brasil, não é obrigatório ter CNPJ para começar: algumas maquininhas, links de pagamento e soluções móveis permitem cadastro como pessoa física, usando CPF. Isso pode ser útil para autônomos, vendedores em eventos, profissionais liberais ou quem ainda está testando um negócio.
Ainda assim, se você pretende vender com frequência, operar como empresa ou crescer no e-commerce, vale considerar a formalização do negócio, a abertura de CNPJ e o uso de uma conta PJ.
Isso ajuda a separar finanças pessoais e empresariais, organizar recebimentos, emitir notas fiscais quando necessário e acessar soluções mais completas de pagamento.
A partir daí, a configuração depende de onde a venda acontece: em uma loja física, online ou em movimento.
Como aceitar pagamentos com cartão de crédito na loja física
Pagamentos presenciais acontecem em lojas, restaurantes, escritórios, feiras, eventos, pop-ups ou qualquer outro ponto físico de venda. Se sua empresa vende presencialmente, você precisará de uma solução para processar cartões e registrar as vendas.
- Provedor de pagamento. É a empresa que processa a transação quando o cliente paga com cartão. No Brasil, isso pode incluir adquirentes, subadquirentes, bancos, fintechs e empresas de maquininha, como Cielo, Rede, Stone, Getnet, PagSeguro/PagBank, Mercado Pago, SumUp e InfinitePay. Compare taxas de crédito à vista, crédito parcelado, débito, prazo de recebimento, custo de antecipação, suporte a Pix e regras de chargeback antes de escolher.
- Sistema de ponto de venda. Um sistema de ponto de venda, ou PDV, combina software e, em alguns casos, hardware para registrar vendas, acompanhar estoque, organizar pedidos e integrar pagamentos. Para pequenos negócios, um PDV pode ajudar a controlar vendas presenciais e online em um só lugar, especialmente quando a empresa também vende por e-commerce, redes sociais ou marketplaces.
- Terminal de pagamento. O terminal de pagamento é o dispositivo físico usado para aceitar cartões de crédito e débito. Ele pode ser uma maquininha tradicional, um leitor conectado ao celular ou uma solução de pagamento por aproximação no próprio smartphone, também chamada de tap on phone. Esses dispositivos podem aceitar cartão com chip, senha, aproximação, carteiras digitais e, dependendo do provedor, Pix por QR Code.
Como aceitar pagamentos com cartão de crédito online
Pagamentos online com cartão de crédito cobrem transações feitas pela internet, como compras em uma loja virtual, checkout de e-commerce, link de pagamento ou página de cobrança.
O funcionamento é parecido com o pagamento presencial: o provedor de pagamento transmite as informações da transação, e o banco emissor do cartão aprova ou recusa a compra. Como lojista, você recebe o valor na conta cadastrada depois do prazo de repasse definido pelo provedor, já com desconto de taxas.
Para implementar esse tipo de pagamento, você precisará de:
- Provedor de pagamento. Você pode usar um gateway, intermediador ou subadquirente compatível com sua loja virtual. No Brasil, alguns exemplos incluem Mercado Pago, Pagar.me, PagSeguro/PagBank, PayPal, Cielo, Appmax, PagBrasil e outras soluções, dependendo da plataforma e do tipo de operação. Para lojas Shopify aqui no Brasil, é importante confirmar quais provedores estão disponíveis e quais métodos de pagamento cada um oferece, como cartão de crédito, Pix, boleto e parcelamento.
- Gateway de pagamento. O gateway é o software que conecta o checkout da loja ao provedor de pagamento. Ele funciona como uma versão online do terminal de pagamento físico, transmitindo dados da compra de forma segura para autorização. Em lojas virtuais, ele também pode oferecer recursos como checkout transparente, antifraude, tokenização, parcelamento, gestão de estornos e conciliação.
Como aceitar pagamentos móveis com cartão
Pagamentos móveis são úteis quando você vende em diferentes locais, como feiras, eventos, food trucks, showrooms, visitas comerciais ou pontos temporários. Também podem funcionar para pequenos negócios que vendem pelas redes sociais e precisam cobrar clientes à distância.
Os pagamentos móveis com cartão funcionam de forma parecida com vendas presenciais ou online. Veja o que você pode usar:
- Aplicativo ou conta de pagamento. Muitos provedores oferecem apps para acompanhar vendas, gerar links de pagamento, criar cobranças, consultar saldo e receber por cartão, Pix ou boleto. Um link de pagamento, por exemplo, permite enviar uma cobrança por WhatsApp, email ou redes sociais sem precisar de uma maquininha física.
- Maquininha ou leitor portátil. Para aceitar cartão em movimento, você pode usar uma maquininha portátil ou um leitor conectado ao celular. Esses dispositivos aceitam pagamentos por chip, senha e aproximação, dependendo do modelo e do provedor.
- Tap on phone. Algumas soluções permitem transformar um celular com NFC em terminal de pagamento, sem maquininha separada. Esse formato vem crescendo no Brasil e, segundo dados da Abecs, o tap on phone movimentou R$ 78 bilhões em 2025, um salto de 241,4% em relação ao ano anterior.
- Carteiras digitais e pagamento por aproximação. Além do cartão físico, muitos clientes pagam com carteiras digitais vinculadas ao cartão, como Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay. Para o lojista, esses pagamentos entram no mesmo ecossistema de cartão, mas oferecem mais conveniência ao consumidor.
Cartão de crédito x cartão de débito: qual é a diferença para lojistas?
Lojistas podem aceitar cartão de crédito e cartão de débito usando, em geral, o mesmo sistema de pagamento, maquininha ou checkout online. A principal diferença está na origem do dinheiro, no custo da transação e nas possibilidades oferecidas ao cliente.
No cartão de débito, o valor sai diretamente da conta bancária do cliente. Para o lojista, esse tipo de pagamento costuma ter taxas menores e prazo de recebimento mais simples, embora as condições variem conforme o provedor.
No cartão de crédito, o cliente pode comprar mesmo sem ter o valor total disponível na conta no momento da compra. Isso pode aumentar o volume de vendas e o ticket médio, principalmente quando a loja oferece parcelamento. Segundo dados da Abecs, o parcelado sem juros representou 42,6% das compras com cartão em 2025, e 64,2% das compras parceladas foram divididas em até seis vezes.
Também vale lembrar que, no Brasil, a Lei nº 13.455/2017 autoriza a diferenciação de preços conforme o prazo ou o instrumento de pagamento utilizado. Ou seja, você pode praticar preços diferentes para pagamentos no dinheiro, Pix, débito, crédito à vista ou parcelado, desde que faça isso com transparência para o consumidor.
Considerações finais
Ao aceitar cartão de crédito, sua pequena empresa atende clientes que valorizam a conveniência, a segurança e a possibilidade de parcelar compras. Muitos consumidores preferem usar cartão em pedidos de maior valor, e oferecer essa opção pode reduzir barreiras na hora da compra.
Sim, você pagará taxas em cada venda no cartão. Porém, ao comparar provedores, escolher bem as condições de recebimento e entender os custos do parcelamento, é possível usar o cartão de crédito como uma ferramenta para aumentar conversões sem comprometer sua margem.
Perguntas frequentes sobre aceitar cartão de crédito
Como recebo pagamento de um cartão de crédito?
Você precisa escolher um provedor de pagamento e cadastrar uma conta para receber os valores das vendas. Dependendo da solução, é possível se cadastrar com CPF ou CNPJ. Para vender presencialmente, você pode usar uma maquininha, leitor portátil ou tap on phone. Para vender online, pode usar checkout, gateway ou link de pagamento. Depois da aprovação da compra, o valor é repassado para a conta cadastrada, descontadas as taxas e conforme o prazo definido pelo provedor.
Como aceitar um pagamento manual com cartão de crédito?
Para aceitar um pagamento manual com cartão de crédito, use uma solução segura do seu provedor de pagamento, como digitação de dados no app, link de pagamento ou cobrança pelo navegador. Evite anotar ou armazenar dados de cartão por conta própria. O ideal é que a transação passe por um ambiente seguro, com criptografia, antifraude e registro adequado.
Como aceitar pagamento com cartão de crédito sem o cartão físico?
O cliente não precisa apresentar um cartão físico para que você aceite cartão de crédito. Você pode receber por checkout online, link de pagamento, carteira digital, pagamento por aproximação no celular ou transações digitadas, também chamadas de card-not-present (CNP), quando disponíveis no seu provedor. Nesses casos, o pagamento é autorizado pelo ecossistema do cartão e o valor é repassado para a conta cadastrada.
Como aceitar pagamento com cartão de crédito sem maquininha?
Se você não tiver uma maquininha, ainda pode aceitar cartão de crédito usando link de pagamento, checkout online, cobrança pelo app do provedor ou tap on phone, quando a solução estiver disponível para seu celular. Essas opções são úteis para vendas pelas redes sociais, atendimento por WhatsApp, eventos, entregas ou negócios que ainda não querem investir em um terminal físico

