A maioria das marcas de retalho estabelecidas acaba por enfrentar um processo de replatforming no e-commerce. O replatforming no e-commerce é o processo de transferir todo um site de e-commerce e os sistemas que o sustentam de uma plataforma para outra, movendo dados de produtos, informações de clientes, elementos de design e integrações para melhorar o desempenho, desbloquear novas funcionalidades ou apoiar o crescimento do negócio. Prevê-se que as vendas globais de e-commerce atinjam 6,88 biliões de dólares até ao final de 2026, representando as transações online já mais de 20% de todo o retalho a nível mundial. Para as empresas que esbarram nas limitações da sua plataforma, uma migração de plataforma de e-commerce é muitas vezes uma forma prática de eliminar estrangulamentos e continuar a crescer.
De acordo com um estudo Time to Value realizado com uma consultora de referência, as marcas que migram para a Shopify implementam, em média, 20% mais depressa do que a concorrência, têm 66% mais probabilidade de cumprir o prazo e três vezes mais probabilidade de respeitar o orçamento — prova de que uma migração bem planeada não tem de ser o processo dispendioso e demorado que muitas vezes se presume.
A plataforma que escolher terá um impacto direto no tempo de atividade do site, na experiência do utilizador (UX), na escalabilidade e na capacidade de fazer alterações rapidamente. O replatforming não é apenas uma atualização técnica. Afeta a receita, as rotinas diárias de trabalho e a rapidez com que a sua equipa consegue lançar novas iniciativas.
Se a sua plataforma não acompanha o ritmo das necessidades do negócio, ou se está a gastar mais tempo e dinheiro em manutenção do que aquilo que lhe é razoável, é provável que tenha chegado a altura de mudar.
A migração no e-commerce foi historicamente vista como um fardo dispendioso e moroso. E, sem o plano e a estratégia de execução adequados, pode mesmo sê-lo. Mas permanecer na plataforma errada pode sair igualmente caro — sobretudo quando os problemas de desempenho, as lacunas nas integrações e as soluções provisórias começam a acumular-se.
Este guia acompanha-o ao longo de um processo completo de replatforming e migração no e-commerce, incluindo uma checklist de replatforming, um modelo de decisão e passos práticos para proteger o SEO e a receita durante a transição, para que possa preparar o seu negócio para o sucesso futuro.
O que é o replatforming no e-commerce?
O replatforming no e-commerce é o processo de transferir todo um site de e-commerce e os sistemas que o sustentam de uma plataforma para outra. Implica mover dados de produtos, informações de clientes, elementos de design e outros componentes relevantes. Esta migração costuma fazer-se para evoluir a partir da plataforma antiga, melhorar funcionalidades, aumentar o desempenho ou acompanhar o crescimento do negócio.
Alguns dos motivos mais frequentes para fazer replatforming incluem:
- Melhorar o funcionamento e a velocidade do site
- Adicionar novas funcionalidades que não estão disponíveis na plataforma atual
- Experimentar novos modelos de negócio ou infraestruturas de e-commerce
- Acrescentar mais elementos à experiência do cliente, como localização ou personalização
O replatforming nem sempre significa mudar o negócio de um parceiro de serviços para outro. Algumas marcas passam de uma plataforma de software como serviço (SaaS) para a sua própria infraestrutura interna, ou vice-versa. "Migração" pode significar mover dados, URLs ou infraestrutura, ao passo que "replatforming" se refere normalmente a uma mudança arquitetónica mais abrangente que afeta a forma como o negócio funciona.
Replatforming vs. otimização da plataforma: como decidir
Nem toda a frustração com a plataforma exige uma migração de site completa.
Por vezes, a melhor opção é otimizar o que já tem. O replatforming faz sentido quando o problema é a plataforma — e não a configuração. Antes de avançar para um replatforming, identifique os problemas que podem resolver-se com alterações de configuração, novas integrações ou pequenas atualizações. Outros problemas podem ser, essencialmente, de natureza arquitetónica.
Considere otimizar a sua plataforma atual se:
- Os seus problemas centrais estiverem relacionados com velocidade do site, SEO ou UX, e a plataforma suportar as correções
- Tiver um ecossistema de integrações estável que funciona bem
- O fornecedor da plataforma tiver um roteiro de produto credível que resolva as suas lacunas
- O custo e a disrupção da migração superarem os ganhos esperados
⠀Considere o replatforming se:
- Tiver atingido limites técnicos rígidos (p. ex., limites na personalização do checkout, incapacidade de suportar novos canais de venda)
- Os custos de manutenção e de soluções provisórias se forem acumulando ano após ano
- O ritmo de inovação do seu fornecedor tiver abrandado e os concorrentes em plataformas modernas estiverem a ganhar vantagem
- Precisar de uma flexibilidade arquitetónica que a sua plataforma atual não oferece, como capacidades de comércio headless ou composable (mais sobre isto adiante)
Tipos de replatforming e migração no e-commerce
De um modo geral, existem três tipos de replatforming e migração no e-commerce:
- Plataforma para plataforma: inclui mudar de uma solução de e-commerce monolítica para outra que oferece mais funcionalidades ou integrações. Pode tratar-se de uma mudança entre soluções na cloud, SaaS ou on-premise. Por exemplo, migrar de Magento (agora Adobe Commerce) ou BigCommerce para a Shopify.
- Migração faseada: pode implicar transitar a sua loja em diferentes etapas, em vez de o fazer de uma só vez. Por exemplo, pode transitar para um sistema de gestão de conteúdos (CMS) diferente, mantendo ainda alguns elementos da sua tecnologia atual.
- Monolítico para microsserviços: esta abordagem permite-lhe separar partes da sua estrutura de e-commerce e substituí-las de forma seletiva, em vez de migrar tudo ao mesmo tempo. Está muitas vezes associada ao comércio headless ou a arquiteturas composable, em que diferentes sistemas (CMS, pesquisa, checkout) se ligam através de APIs.
A maioria das migrações enquadra-se num destes três tipos, mas a execução varia consoante a arquitetura.
Quando é planeado e executado com cuidado, o replatforming pode gerar ganhos mensuráveis. Por exemplo, a marca de moda e desporto J.Lindeberg migrou para a Shopify em 16 semanas e usou a nova plataforma para melhorar a apresentação da marca e o envolvimento dos clientes — o que resultou num aumento de 70% na receita e de 7% na taxa de conversão.
Estatísticas sobre migração de sites de e-commerce
Este crescente sentido de urgência em migrar para plataformas online modernas acompanha a percentagem cada vez maior de utilizadores da internet que compram online com regularidade. Segundo a DataReportal, perto de 57% dos utilizadores da internet com 16 ou mais anos compram agora algo online todas as semanas.
Para acompanhar esta procura, as empresas procuram soluções de e-commerce na cloud e SaaS que as ajudem a crescer e a melhorar os seguintes fatores, que têm um impacto significativo na fidelização dos clientes e nas taxas de venda:
- Experiência do utilizador: segundo o Global Payments Report 2025 da Worldpay, a quota do telemóvel no e-commerce global disparou de 19% para 57% entre 2014 e 2024, com projeções a apontar para 64% em 2030. Isto significa que as empresas online precisam de usar uma plataforma que lhes permita oferecer uma UX ótima em telemóvel ou computador e que facilite a compra em qualquer dispositivo.
- Opções de pagamento: as carteiras digitais representaram 53% do valor das transações globais de e-commerce em 2024. Se a plataforma da sua loja online não aceita atualmente pagamentos por carteira digital, é provável que esteja a perder vendas potenciais.
- Taxas de checkout e de conversão: o abandono do carrinho continua a ser um grande problema para as empresas de e-commerce. Em 2025, a taxa média de abandono de carrinho reportada é de 70,22%. Um "processo de checkout demasiado longo ou complicado" foi apontado por 18% dos utilizadores inquiridos como motivo para desistirem, e 15% referiram "erros ou falhas do site".
- Velocidade do site: os sites de carregamento lento também aumentam as taxas de abandono de carrinho em até 75%.
Muitos destes problemas — em particular as más experiências de checkout, o tempo de atividade do site e a velocidade — são diretamente influenciados pelas capacidades da plataforma e pelas restrições arquitetónicas. Na verdade, os sites de e-commerce podem obter um aumento de 35% nas taxas de conversão ao otimizar o design do checkout.
A migração de plataforma de e-commerce pode ser dispendiosa e morosa, mas o modelo de planeamento e execução certo consegue reduzir a disrupção e manter os custos sob controlo. Para muitas marcas em crescimento, os ganhos a longo prazo em escalabilidade, desempenho e eficiência operacional podem justificar o investimento inicial.
O que os dados mais recentes sugerem sobre o comportamento do comprador e o risco
Em conjunto, estes números traçam um caminho claro para o planeamento da migração. Uma parte cada vez maior da receita vem do design mobile-first, onde a flexibilidade de pagamento é mais importante do que nunca, com as carteiras digitais já dominantes. E a persistente taxa de abandono de carrinho de cerca de 70% sugere que a UX do checkout deve ser um critério de avaliação central na escolha de uma nova plataforma.
Para as equipas de retalho e e-commerce que ponderam um replatforming, o verdadeiro risco não está em migrar. Está em permanecer numa plataforma que não consegue acompanhar estas mudanças.
Nove aspetos a considerar antes de fazer replatforming do seu negócio de e-commerce
Quer esta seja ou não a primeira vez que faz replatforming de um site de e-commerce, há vários fatores a ponderar antes de começar. Estas considerações devem ajudá-lo a determinar se o replatforming é a opção certa — e como deve ser o sucesso antes de avançar.
1. Resultado de negócio pretendido
A maioria das organizações pondera o replatforming quando está a introduzir novos produtos, regiões ou métodos de pagamento, a fazer crescer o negócio, ou quando tem vários problemas para resolver ao mesmo tempo.
Seja qual for o motivo, não vale a pena investir tempo, dinheiro e esforço no replatforming se não houver uma melhoria significativa em termos de design, funcionalidade, desempenho e resultados.
O replatforming é um investimento de longo prazo. Por isso, defina objetivos de migração claros e escolha uma solução de replatforming capaz de cumprir esses requisitos e, ao mesmo tempo, apoiar a sua próxima fase de crescimento.
Defina o que significa sucesso em termos mensuráveis — seja uma melhoria na taxa de conversão, um desempenho mais rápido do site, uma redução dos custos de manutenção ou a expansão para novos canais.
2. Custos
Os custos de replatforming e migração no e-commerce variam consoante a complexidade da transição.
As variáveis que influenciam o preço incluem:
- Plataforma de e-commerce
- Tipo de migração e se vai fazer o trabalho internamente ou subcontratá-lo
- Tempo de inatividade durante a transferência
- Testes e lançamento
- Monitorização do desempenho
- Manutenção da nova plataforma
- Formação da equipa
Antes de avançar, estime tanto o investimento inicial como os custos operacionais contínuos. Inclua infraestrutura, recursos de desenvolvimento, integrações e manutenção a longo prazo.
3. Funcionalidades e capacidades da plataforma
Não está a migrar para outra plataforma apenas pelo seu design, mas sobretudo pelo que ela pode fazer por si.
Compare as funcionalidades e capacidades que as plataformas de e-commerce modernas oferecem com as suas limitações atuais. Concentre-se nas funcionalidades que eliminam atritos operacionais ou impulsionam o crescimento — e não apenas em melhorias cosméticas. Por exemplo, avalie a flexibilidade do checkout, o desempenho em picos de carga e o comércio internacional.
4. Integrações sem falhas
A sua plataforma de e-commerce atual pode já integrar-se com plugins, extensões e apps que garantem o bom funcionamento de funções essenciais — como o seu sistema de gestão de relações com clientes (CRM), o marketing, as vendas e os pagamentos.
A sua próxima plataforma deve integrar-se de forma limpa na sua infraestrutura existente e suportar as integrações em vigor, sem introduzir perdas de desempenho ou complexidade desnecessária.
Por exemplo, se a sua app de vendas funciona bem, a plataforma para a qual vai mudar deve integrar-se sem problemas com essa app e com os restantes sistemas centrais do negócio, sem afetar o seu desempenho.
Se forem necessárias alterações, faça uma auditoria à sua tecnologia logo no início, para perceber o que deve ser mantido, substituído ou consolidado — e como os dados se vão mover em segurança entre sistemas.
5. As competências técnicas e a experiência da sua equipa
O replatforming é uma mudança organizacional de grande dimensão que exige o empenho de todos. Não compete apenas aos programadores executá-lo.
Do marketing às finanças, do departamento de TI aos conteúdos, vai precisar de envolver toda a equipa e garantir que possui as competências técnicas necessárias para fazer avançar o processo. Pondere se a sua equipa interna consegue gerir a implementação, as integrações e a otimização contínua — ou se serão necessários parceiros externos.
A escolha de uma plataforma deve estar alinhada com a capacidade da sua equipa. Selecionar uma solução que exija muito desenvolvimento personalizado pode, sem querer, criar a necessidade de pagar por talento especializado.
6. Plano de gestão da mudança e de formação
O replatforming implica abanar a sua tecnologia e os seus fluxos de trabalho. Sem um plano deliberado de gestão da mudança, a sua migração pode empancar na fase de adoção — mesmo que seja tecnicamente perfeita.
Atribua, logo no início do processo, responsabilidades claras pela formação e pela comunicação interna. Identifique quais as funções mais afetadas pela mudança (gestores de merchandising, profissionais de marketing, apoio ao cliente, finanças) e crie planos de capacitação adaptados a cada uma.
Estabeleça pontos de controlo de adoção em marcos importantes: pré-lançamento, semana de lançamento e 30/60/90 dias após o lançamento. Assim, pode garantir que as equipas se sentem confiantes a usar o novo sistema e que os fluxos de trabalho funcionam conforme previsto.
7. Apoio ao cliente
Pode ter uma equipa fantástica, mas é preciso uma equipa de apoio ao cliente ágil, competente e simpática para recolher o feedback dos clientes e resolver os erros com rapidez e eficácia quando surgem, sobretudo durante e logo após a migração.
Garanta que a plataforma de e-commerce que escolher oferece apoio 24 horas por dia, sete dias por semana, através de vários canais, incluindo e-mail, telefone, chat ao vivo, artigos de base de conhecimento e tutoriais, para que tenha a ajuda e as respostas de que precisa para manter a loja a funcionar.
Para equipas maiores, avalie também como vai escalar os problemas, como gestão de conta dedicada e compromissos de nível de serviço. Quando há receita em jogo, o tempo de resposta conta.
8. Calendário do replatforming e da migração
O momento que escolher para fazer o replatforming e a migração pode afetar as suas conversões e a sua receita.
Embora não haja um momento ideal para fazer replatforming, o melhor é fazê-lo durante períodos de pouco movimento, como horas de menor atividade ou quando o site regista pouco tráfego. Dessa forma, pode minimizar o tempo de inatividade ou as perturbações e verificar eventuais problemas ou erros que possam surgir com o menor impacto possível no desempenho do negócio.
9. Impacto a longo prazo e alterações futuras
O replatforming é um investimento de longo prazo. Pense no impacto potencial no negócio, nas mudanças futuras do mercado e em possíveis fatores disruptivos.
Se o seu roteiro contempla a expansão para novos mercados, a adoção de uma arquitetura headless ou a evolução para um modelo de composable e-commerce, certifique-se de que a plataforma escolhida consegue acompanhar essa evolução sem uma nova migração dispendiosa.
O objetivo não é apenas resolver as limitações de hoje. É escolher uma arquitetura que não crie novas restrições daqui a dois ou três anos.
12 passos para fazer replatforming do seu site de e-commerce
Replatforming e migração no e-commerce são dois termos intermutáveis que significam o mesmo: mover a sua loja de uma plataforma para outra. O âmbito — incluindo custos, recursos, prazos e passos — varia consoante a dimensão e a complexidade do negócio.
Uma migração bem-sucedida, no entanto, segue um processo estruturado com estes passos:
- Identificar as suas necessidades e prioridades de replatforming
- Reunir as partes interessadas
- Procurar uma nova plataforma de e-commerce
- Planear a migração da plataforma de e-commerce
- Fazer cópia de segurança dos dados da sua loja
- Conceber e desenvolver o novo site de e-commerce
- Migrar os dados da loja
- Otimizar a experiência de checkout
- Realizar uma auditoria de SEO antes do lançamento
- Testar (e voltar a testar)
- Lançar o site
- Monitorização pós-lançamento
Vejamos cada passo com mais detalhe.
1. Identificar as suas necessidades e prioridades de replatforming
Analise a sua plataforma atual para identificar funcionalidades em falta, lacunas, áreas a melhorar e os benefícios e eventuais desvantagens do replatforming. Depois, enumere os requisitos de replatforming, incluindo as necessidades de mão de obra, as dependências e os prazos estimados.
Traduza os objetivos de negócio em requisitos técnicos, para que as avaliações das plataformas assentem em resultados mensuráveis.
2. Reunir as partes interessadas
O replatforming no e-commerce é um processo de negócio colaborativo que envolve tanto quem executa como quem decide. Reúna essas pessoas — representando todos os grupos afetados pela migração do site de e-commerce — e apresente os argumentos que justificam a necessidade de um projeto de replatforming.
Alinhe os seguintes pontos:
- O que não consegue fazer com a sua plataforma atual
- Que atividades lhe consomem atualmente mais tempo
- O que poderia ser automatizado para poupar tempo e recursos
- Quaisquer problemas recorrentes da plataforma que provoquem perda de receita
- Uma estimativa do desperdício de recursos internos causado por esses problemas
- Barreiras à inovação, ao crescimento da loja e a uma boa experiência do cliente causadas pelo sistema atual
- Quem vai ficar responsável pela gestão da mudança, pela formação e pela adoção interna após a migração
- Como um tipo diferente de plataforma de e-commerce pode resolver todos os pontos anteriores
- Os potenciais riscos do replatforming e da migração, o que esperar durante e depois, e porquê
O objetivo é uma clareza partilhada — por que motivo está a migrar, como será o sucesso e quem responde por cada frente de trabalho.
Se as partes interessadas concordarem que usar uma plataforma diferente é a solução certa, o passo seguinte é alinhar sobre aquilo que procuram numa nova solução.
Antes de avaliar plataformas, esclareça o seguinte:
- Funcionalidades, personalizações e integrações indispensáveis
- Problemas existentes que precisa de resolver
- Funcionalidades necessárias para o crescimento futuro
- Fluxos de trabalho que poderiam ser automatizados
- Dados que precisam de ser migrados (ou seja, produtos, clientes existentes, encomendas, etc.)
- Requisitos de recursos
- Prazo-alvo de migração
Um parceiro externo (agência) é um recurso útil ao longo deste processo complexo e pode ajudar a orientar as suas conversas e decisões desde uma fase inicial.
3. Procurar uma nova plataforma de e-commerce
A seguir vem a fase de descoberta, em que analisa outras plataformas. Sites como o G2, o Capterra e o Gartner são recursos úteis para compilar a sua lista inicial de fornecedores. Pode também ponderar enviar um pedido de proposta (RFP) com a sua lista de requisitos, para alargar o alcance e reduzir a carga de trabalho.
Reduza a lista a um conjunto gerível de fornecedores e marque chamadas exploratórias com cada um.
Durante essas chamadas, coloque questões como:
- Quanto custa a migração?
- Quanto tempo demora a migração?
- O que envolve o processo de migração?
- Como é que a vossa equipa apoia o processo de migração?
- Que tipo de apoio ao cliente contínuo oferecem?
- Podem partilhar dados sobre a velocidade e o tempo de atividade da vossa plataforma?
- Com que eficácia é que a vossa plataforma cresce à medida que se adicionam mais produtos, vendas e tráfego?
- Como garantem a segurança dos meus dados durante a migração?
- Que tipo de segurança e conformidade tem a vossa plataforma implementada?
- Podem partilhar uma lista de integrações prontas a usar que oferecem? O que podemos fazer se precisarmos de integrações que atualmente não são suportadas?
Acrescente a esta lista quaisquer questões relacionadas com os requisitos específicos do seu negócio. Registe as respostas num documento partilhado, para que os membros da equipa possam ponderar os potenciais fornecedores em colaboração.
4. Planear a migração
Depois de selecionar um parceiro de e-commerce, o passo seguinte é estabelecer um âmbito de trabalho (SOW) e um calendário realistas para a sua migração. Mapeie os marcos principais, as dependências e os responsáveis por cada frente de trabalho.
A maioria das migrações exige planear subprojetos para tratar do seguinte:
- Criar uma nova hierarquia do site
- Migrar conteúdos
- Auditar e eliminar conteúdos existentes
- Design do front-end
- Desenvolvimento do back-end
- Formação antes e depois do lançamento
- Planeamento da migração de otimização para motores de busca (SEO)
A migração de dados é também um elemento crítico na fase de planeamento. É nesta altura que define quais os dados que precisam de ser transferidos e como serão movidos em segurança de uma plataforma para a outra. A migração de dados pode fazer-se através de um serviço de terceiros, de uma API, de uma app ou de uma transferência manual por CSV. Fale com a sua agência ou fornecedor de soluções sobre a melhor opção para o seu projeto de replatforming.
5. Fazer cópia de segurança dos dados da sua loja
Mover grandes volumes de dados de uma plataforma para outra é delicado, e por vezes as coisas correm mal — mesmo quando se tem um plano detalhado.
Antes do replatforming, faça o rastreio da sua loja para catalogar todos os conteúdos existentes e contabilizar todos os dados que vai migrar para a nova plataforma.
Reveja os seus conteúdos e determine o que precisa e o que vai eliminar, como peças mais antigas, desatualizadas e não otimizadas para a pesquisa. Isto evita a desordem desnecessária e reduz o risco da migração.
Depois, faça uma cópia de segurança dos dados atuais do negócio, incluindo catálogos, perfis de clientes e histórico de encomendas, bem como as funcionalidades atuais de e-commerce. Mantenha uma cópia de segurança limpa, para poder restaurar os dados rapidamente se necessário.
Registe onde os seus dados estão atualmente armazenados e onde serão estruturados na nova plataforma de e-commerce.
6. Conceber e desenvolver o novo site
A fase de design e desenvolvimento ocupa, provavelmente, a maior parte do seu tempo e dos seus recursos. É aqui que os seus designers e a sua equipa de desenvolvimento experiente entram em ação e criam o front-end e o back-end da sua nova loja de e-commerce. É também aqui que todos os dados que migrou são carregados na nova versão do seu site.
Se houver alterações significativas que pretenda fazer à navegação, aos conteúdos, à UX, ao design ou à funcionalidade do back-end do seu site, é agora o momento de o fazer.
Tenha cuidado ao alargar o âmbito do projeto. O replatforming é uma oportunidade para modernizar — mas um redesign excessivo pode introduzir atrasos e riscos adicionais.
7. Migrar os dados da loja
Se tiver as competências técnicas e a experiência necessárias, pode migrar manualmente os dados da sua loja.
Em alternativa, use uma app de migração ou contrate um serviço de migração de terceiros para o fazer por si. Certifique-se de que o fornecedor que utiliza tem experiência na migração das plataformas de origem e de destino e de que consegue gerir toda a migração com rigor e segurança.
Confirme que os produtos, os clientes e as encomendas foram transferidos corretamente antes do lançamento. Faça algumas encomendas de teste para garantir que o checkout e os relatórios funcionam conforme esperado.
8. Otimizar a experiência de checkout
Dependendo da plataforma escolhida, pode também ter a oportunidade de personalizar e otimizar a sua experiência de checkout. Ligue à nova plataforma quaisquer apps de checkout de terceiros que possa estar a usar no seu sistema atual e otimize o fluxo do utilizador tanto quanto possível.
Este é um bom momento para garantir que o novo fluxo de checkout de e-commerce corresponde às boas práticas que definiu logo na fase de planeamento. O objetivo é assegurar que a nova experiência é rápida, segura e eficiente para os seus clientes.
Como o abandono de carrinho é elevado, avalie o checkout com o objetivo de reduzir o atrito — formulários simplificados, integrações com carteiras digitais, custos de envio claros e design mobile-first.
9. Checklist de migração de SEO
O replatforming no e-commerce acarreta risco para o SEO — mas é gerível se for tratado como uma mudança de site estruturada.
Sempre que muda um site de uma plataforma para outra, as alterações aos URLs, à arquitetura do site e ao desempenho podem afetar a sua posição nos resultados de pesquisa a curto prazo.
Para mitigar esse risco:
- Audite os conteúdos existentes e remova conteúdos antigos e duplicados.
- Garanta que qualquer conteúdo web novo está devidamente otimizado com as suas palavras-chave-alvo.
- Migre todos os metadados e marcações de esquema do seu site antigo (e otimize-os, se necessário).
Para uma abordagem mais estruturada, alinhe o seu plano de migração de SEO com as orientações do Google sobre mudanças de site com alterações de URL:
- Mapeamento de redirecionamentos: crie um mapa de redirecionamentos 1:1 abrangente que cubra todos os URLs indexados. Dê prioridade às páginas de muito tráfego e geradoras de receita. Use redirecionamentos 301 (permanentes), não 302.
- Validação antes do lançamento: teste os redirecionamentos num ambiente de staging. Verifique as etiquetas canónicas, os atributos hreflang (para sites internacionais) e as implementações de dados estruturados.
- Configuração do Search Console: adicione e verifique o seu novo domínio (ou estrutura de URL) no Google Search Console antes do lançamento. Submeta o seu sitemap XML atualizado imediatamente após a entrada em funcionamento.
- Monitorização pós-lançamento: consulte diariamente o relatório de cobertura do Search Console durante as primeiras duas semanas. Fique atento a picos de erros 404, anomalias de rastreio ou quebras inesperadas no número de páginas indexadas. Monitorize as Core Web Vitals do Google para detetar cedo quaisquer regressões de desempenho.
Depois de o seu site estar no ar, continue a monitorizar o tráfego orgânico, a posição nas pesquisas e o perfil técnico de SEO através de ferramentas como o SEMrush ou o Ahrefs. Fique atento a aspetos como erros 404, problemas de velocidade do site e qualquer outro sinal de alarme que surja e possa indicar um desempenho comprometido.
10. Testar (e voltar a testar)
Antes de lançar, execute vários testes à navegação do site, à experiência de checkout, à funcionalidade do front-end e do back-end e ao processo de seleção de produtos. Teste de ponta a ponta os percursos críticos do utilizador, para fazer emergir os problemas antes dos clientes.
Ao fazê-lo, passe o seu site por uma ferramenta de auditoria de desempenho como o Google PageSpeed Insights, para garantir que todas as páginas carregam e se comportam conforme esperado.
Peça às equipas internas que avaliem o site tanto na perspetiva do negócio como na do cliente. Peça às partes interessadas que trabalhem no back-end e simulem transações no front-end. Recolha todo o feedback e incorpore-o nos ajustes finais antes do lançamento.
11. Lançar o site
O lançamento propriamente dito do seu site deve ser bastante simples. Planeie a janela de lançamento de modo a minimizar a perturbação para os seus clientes. Se possível, trabalhe com a sua agência ou parceiro de soluções para criar antecipadamente uma checklist de lançamento, de forma a executar as tarefas por ordem sequencial.
Estudo de caso: a Morrison aumentou as conversões em 15% e as vendas físicas em 10% depois de migrar para a Shopify
12. Monitorização pós-lançamento
Por fim, um plano de monitorização estruturado ajuda-o a detetar eventuais problemas subsequentes antes que afetem a receita.
Primeiras 72 horas: monitorize em tempo real as taxas de conclusão do checkout, o processamento de pagamentos, as confirmações por e-mail e os redirecionamentos. Tenha a sua equipa técnica de prevenção para resolver de imediato qualquer problema. É nesta fase que surgem os erros mais críticos.
Primeiras duas semanas: analise diariamente as tendências de tráfego orgânico e a posição nas pesquisas. Consulte o Google Search Console para verificar erros de rastreio, problemas de indexação e regressões das Core Web Vitals. Compare a receita, as taxas de conversão e o valor médio da encomenda (AOV) com os seus valores de referência anteriores à migração.
Primeiros 60 dias: faça uma análise completa do desempenho. Audite a velocidade do site, as taxas de abandono do checkout e a receita face aos seus objetivos de migração. Recolha feedback interno sobre os fluxos de trabalho e resolva as lacunas de adoção. Conclua qualquer migração de dados delta necessária, para captar as encomendas ou os registos de clientes criados durante o período de transição.
Porque é que as empresas de e-commerce fazem replatforming?
As empresas de e-commerce fazem replatforming pelos mais variados motivos, a maioria dos quais determinada pela fase de crescimento e pelas necessidades operacionais da empresa. Na maior parte dos casos, a motivação é resolver limitações existentes ou desbloquear novas funcionalidades (ou uma combinação das duas).
As empresas de e-commerce podem procurar evitar ou encontrar solução para:
- Fraco desempenho do site
- Problemas de velocidade e capacidade de resposta do site
- Lacunas de funcionalidade na plataforma atual
- Fraca administração ou back-end
- Manutenção dispendiosa e morosa
- Fraca UX
- Acumulação de dívida técnica
- Falta de inovação da plataforma
- Falta de escalabilidade
- Infraestrutura de e-commerce pouco fiável
Além disso, essas mesmas empresas online podem querer obter o seguinte:
- Maior escalabilidade
- Melhor experiência do cliente
- Integrações e apps modernas
- Comodidade, segurança e acessibilidade de preço
- Experiências de checkout personalizadas e otimizadas
- Melhor acompanhamento e análise de dados
- Manutenção e atualizações do site mais fáceis
- Melhor segurança do site e dos dados
"As empresas de e-commerce podem transferir a sua presença online para uma plataforma diferente para fazer crescer o negócio e criar uma melhor experiência do utilizador", afirma Alexandra Fennel, cofundadora e CEO da Attn: Grace. "Optam pelo replatforming quando o fornecedor atual regista problemas técnicos regulares que prejudicam as taxas de conversão, ou quando não consegue evoluir com rapidez suficiente para acompanhar a concorrência."
Ao fazê-lo, diz Monte Deere, CEO da Kizik, a empresa também reforça a sua credibilidade aos olhos dos clientes. "Quem não fica impressionado com uma empresa — e não confia mais nela — quando uma plataforma de e-commerce é tão elegante e intuitiva como a da Apple?", pergunta Monte.
A velocidade comprometida do site que levava à perda de vendas foi precisamente a motivação de que a Bombas precisou para dar início à sua própria migração para a Shopify.
Tendo feito crescer a receita de 300 000 dólares em 2013 para 4,7 milhões de dólares em 2015, os fundadores da Bombas, David e Andrew Heath, fecharam um acordo com Daymond John no Shark Tank. Devido a esse sucesso, o site recebeu muito mais tráfego do que conseguia suportar — 4000 transações por dia, face às 500 anteriores.
As imagens dos produtos deixaram de funcionar, os clientes não conseguiam finalizar a compra e as perdas ascenderam a 15 000 dólares em poucos minutos. O incidente deixou claro que a plataforma precisava de crescer. O processo foi exigente em termos de tempo e custou cerca de 150 000 dólares, mas o esforço compensou. A migração para a Shopify poupou um valor estimado de 108 000 dólares em custos de plataforma só no primeiro ano.
Para a equipa da Bombas, o catalisador do replatforming foi uma infraestrutura pouco fiável que levava à perda de receita, e a recompensa foi a escalabilidade, a inovação e um retorno positivo do investimento quase imediato.
Plataformas de e-commerce e tipos a considerar
As plataformas de e-commerce podem dividir-se em três tipos principais, cada um com os seus benefícios e desafios. O tipo de plataforma que escolher terá um impacto significativo nas suas despesas correntes, nos requisitos de manutenção e na escalabilidade.
|
Tipo de plataforma |
Como funciona |
Principais benefícios |
Principais considerações |
Mais indicada para |
|---|---|---|---|---|
|
SaaS |
Baseada em subscrição; infraestrutura criada e mantida pelo fornecedor |
Preços previsíveis; atualizações automáticas; segurança e conformidade integradas; lançamentos mais rápidos |
A personalização pode ser mais limitada do que em on-premise; depende do roteiro do fornecedor |
Marcas em crescimento que valorizam a fiabilidade, a rapidez de entrada no mercado e menos encargos operacionais |
|
On-premise |
Alojada em infraestrutura própria da empresa; criada e mantida por equipas internas ou de terceiros |
Controlo total sobre o código, o hardware e a segurança; personalização muito detalhada |
Custos elevados de infraestrutura e de pessoal; a escalabilidade em períodos de pico exige planeamento |
Empresas com equipas técnicas robustas e requisitos rigorosos de soberania dos dados |
|
Cloud (IaaS) |
Alojada através de um fornecedor de cloud externo (p. ex., AWS, Azure); a empresa desenvolve e mantém a plataforma |
Não é preciso possuir hardware; cópias de segurança de dados fáceis; escalável em picos de tráfego; acesso ao código-fonte |
Continua a exigir investimento em engenharia; os custos podem disparar em períodos de muito tráfego |
Marcas que precisam de flexibilidade de infraestrutura sem a posse total de on-premise |
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Composable / Headless |
Componentes best-of-breed (CMS, pesquisa, checkout, OMS) ligados por APIs; front-end separado do back-end |
Flexibilidade máxima; controlo detalhado de cada componente; suporta estruturas multirregião complexas |
Elevada complexidade; exige uma equipa técnica sólida para gerir múltiplas relações com fornecedores |
Empresas com requisitos de front-end especializados ou experiências de cliente muito diferenciadas |
SaaS
As plataformas de e-commerce SaaS são soluções baseadas em subscrição, criadas e mantidas por um fornecedor externo. No essencial, as empresas alugam o software ao prestador de serviços, sem necessidade de construir ou desenvolver qualquer infraestrutura própria.
As lojas de e-commerce em crescimento, ou as que valorizam a facilidade de utilização e a fiabilidade, devem ponderar frequentemente uma solução SaaS. Os modelos SaaS costumam transferir para o fornecedor as responsabilidades de infraestrutura, tempo de atividade e segurança, reduzindo os seus encargos.
Os benefícios das plataformas de e-commerce SaaS incluem:
- Preços previsíveis baseados em subscrição
- Não é necessário pessoal técnico a tempo inteiro para manter servidores ou segurança
- Acesso a apoio contínuo e a gestão de sucesso
- Infraestrutura dedicada que cresce à medida do seu negócio
- Amplas integrações e apps de terceiros
- Atualizações automáticas de software e de segurança
- Lançamentos de loja mais rápidos
No capítulo da segurança, vale a pena referir que a PCI DSS v4.0.1 é agora a norma de conformidade em vigor, com novos requisitos aplicáveis a partir de março de 2025. Plataformas SaaS como a Shopify tratam desta conformidade de origem, o que pode simplificar os requisitos de conformidade no planeamento da migração. Para as equipas que usam configurações on-premise ou na cloud, cumprir a norma atualizada acrescenta mais um item à sua checklist de migração.
On-premise
As plataformas de e-commerce on-premise (ou locais) são construídas com os recursos da própria empresa e alojadas numa instalação de armazenamento interna. As equipas internas ou de terceiros de desenvolvimento e engenharia realizam todo o desenvolvimento e a manutenção contínua, e são responsáveis por uma infraestrutura técnica e de segurança.
Os benefícios das soluções de e-commerce on-premise incluem:
- Controlo total e acesso direto ao código do site e ao hardware
- Controlo total sobre a segurança da plataforma e da rede
- A capacidade de fazer otimizações ao site altamente personalizadas e detalhadas
Embora os sistemas legados on-premise sejam uma ótima opção para equipas com grande profundidade técnica, exigem recursos internos significativos. Entre infraestrutura, salários dos colaboradores, segurança e apoio de terceiros, as despesas correntes podem acumular-se rapidamente. Os custos tendem a crescer com o tráfego e a complexidade.
O desempenho, as cópias de segurança, o tempo de atividade, a segurança e a escalabilidade do site ficam também a cargo da equipa interna, o que significa que pode ser difícil ajustar rapidamente para dar resposta a épocas de pico e a novas oportunidades de mercado.
Cloud
As plataformas de e-commerce na cloud são um híbrido entre a solução SaaS e a on-premise, e usam um modelo de infraestrutura como serviço (IaaS). Ou seja, a empresa aloja o seu site de e-commerce na cloud através de um fornecedor como a Amazon Web Services ou a Microsoft Azure.
Embora os fornecedores de plataformas de e-commerce na cloud aluguem a infraestrutura de armazenamento e de hardware a um fornecedor externo, são eles os responsáveis por desenvolver e manter a plataforma de e-commerce central.
Os benefícios das soluções de e-commerce na cloud incluem:
- Evitar a necessidade de comprar ou alugar infraestrutura dispendiosa
- Cópias de segurança de dados fáceis e escalabilidade em períodos de pico
- Aproveitar as capacidades de segurança dos grandes fornecedores de IaaS
- A possibilidade de modificar e otimizar o código-fonte da plataforma
- Personalização total das funcionalidades, da experiência do utilizador e da funcionalidade do back-end
Embora as plataformas de e-commerce na cloud exijam menos recursos do que as on-premise, continuam a requerer investimento em engenharia e infraestrutura. As empresas têm de pagar taxas de licenciamento pela infraestrutura IaaS e continuam a precisar de uma equipa altamente técnica para desenvolver e manter o seu site de e-commerce. Os custos também tendem a disparar nos períodos de maior tráfego, quando são necessários recursos de computação adicionais.
A abordagem composable / headless
Um número crescente de marcas empresariais está a olhar para o composable e-commerce e para as arquiteturas headless como parte da sua decisão de replatforming. Em vez de adotar uma única plataforma monolítica, o comércio composable permite-lhe montar componentes best-of-breed, como CMS, pesquisa, checkout e sistemas de gestão de encomendas (OMS), ligando-os através de APIs.
Esta abordagem oferece grande flexibilidade, mas o preço é a complexidade acrescida. Vai precisar de uma equipa técnica sólida para gerir várias relações com fornecedores e tratar das integrações.
Vale a pena ponderar o composable se tiver requisitos de front-end muito especializados. É uma boa opção se operar em muitas regiões com diferentes tecnologias, ou se precisar de controlo detalhado sobre componentes individuais da experiência do cliente.
Para muitas marcas, no entanto, uma plataforma SaaS moderna pode oferecer a flexibilidade do composable sem os encargos operacionais. A framework headless da Shopify, por exemplo, proporciona capacidades headless a par de uma estrutura totalmente gerida.
Criar o seu plano de replatforming no e-commerce
Planear o seu replatforming no e-commerce é a parte mais importante de todo o projeto. Sem um planeamento adequado, corre o risco de saltar passos importantes, de ultrapassar as suas restrições de tempo e orçamento e de cometer erros dispendiosos que podem prejudicar o seu negócio.
"O maior risco da migração no e-commerce é não planear como deve ser", afirma Nathan Lomax, cofundador da Quickfire Digital. "Tentar fazer o replatforming num prazo demasiado curto cria problemas mais à frente, dados valiosos correm o risco de se perder, a visibilidade na pesquisa pode ser muito afetada, e acaba-se por passar um longo período, após o lançamento, a tentar corrigir o que deveria ter sido tratado facilmente com antecedência", diz.
Para evitar erros dispendiosos, centre o seu planeamento nestas cinco considerações fundamentais.
Olhe para as necessidades do seu negócio
Grande parte deste planeamento assenta nas considerações já referidas. Aqui, a clareza quanto aos objetivos de negócio deve orientar cada decisão de planeamento.
É fundamental ter uma compreensão aprofundada das necessidades e dos requisitos do seu negócio para a nova plataforma. Essa compreensão deve refletir tanto as restrições atuais como os requisitos futuros da sua empresa.
"Normalmente, os programas de e-commerce bem-sucedidos envolvem vários departamentos", afirma Kevin Patel, CEO da Convrrt. "Garanta que todos os requisitos foram recolhidos, contactando todos os colaboradores da sua organização. Deve elaborar uma lista do que é essencial e do que é desejável hoje, e uma lista de funcionalidades que possam vir a ser necessárias no futuro."
Faça o balanço das limitações da plataforma, dos encargos de manutenção e do impacto na receita. Traduza essas conclusões em objetivos e prazos priorizados.
Se o replatforming no e-commerce for a decisão certa para a sua empresa, é também importante entrar no processo com expectativas claras.
"É muitas vezes um processo dispendioso, uma vez que se abdica do investimento feito na plataforma original", explica Fennell. "Exige nova formação para os colaboradores e tem impacto nos dados dos clientes, o que pode conduzir a uma experiência do utilizador confusa e frustrante. Se tiver de mudar de plataforma, mapeie que áreas do seu negócio serão prejudicadas, para otimizar operações e evitar ficar offline."
Desenvolva um RFP
Um pedido de proposta pode ajudar a formalizar os seus requisitos antes de iniciar conversas com fornecedores.
O seu RFP de e-commerce pode ser tão detalhado ou tão genérico quanto quiser. Quanto mais específicos forem os seus requisitos, mais ajustadas serão as respostas dos fornecedores. Tenha em conta, no entanto, que os RFPs também podem levar alguns fornecedores a desistir da avaliação, mesmo que sejam candidatos parcialmente adequados.
Ao criar o seu RFP, pondere:
- Porque é que está a migrar e com que brevidade pretende relançar?
- Quais são os seus objetivos?
- Em volumes de pico, que volume de tráfego, checkouts e vendas regista?
- Como implementa atualmente alterações de design, de produto e de UX?
- Que canais de venda utiliza?
- Qual é a sua abordagem atual ao comércio internacional?
- Tem alguma personalização ou configuração de produto especializada?
- Quais são os seus custos operacionais atuais?
- Que marcas admira ou usa como referência?
- Que ferramentas de terceiros, software interno e parceiros externos considera "a manter obrigatoriamente"? Quais pretende substituir ou começar a implementar?
Use um quadro de avaliação partilhado para avaliar as respostas de forma objetiva.
Conheça o seu custo total de propriedade
Avaliar o custo total de propriedade (TCO) de todas as plataformas de e-commerce que está a avaliar é fundamental para garantir que toma a decisão de negócio certa para a sua empresa.
Ao calcular o TCO, contabilize tanto o investimento inicial de migração como os custos operacionais contínuos da nova plataforma. As principais categorias de custos incluem:
- Custos de migração: migração de dados, licenciamento da plataforma, honorários de agência ou parceiro, reciclagem dos colaboradores e tempo de inatividade durante a transição
- Custos contínuos da plataforma: alojamento, correções de segurança, manutenção, desenvolvimento personalizado, testes de desempenho e testes de aceitação pelo utilizador
- Custos ocultos: sobretaxas em picos de tráfego, desenvolvimento personalizado do checkout, licenças adicionais para atualizações de funcionalidades, encargos de gestão de conteúdos e taxas de apps ou integrações que não faziam parte do orçamento inicial
É aqui que importa compreender as nuances de cada tipo de plataforma de e-commerce. As plataformas on-premise e na cloud podem ter despesas adicionais que aumentam o seu custo total de propriedade, para além das taxas de licenciamento iniciais. As estruturas de custos variam consoante o modelo de plataforma, sobretudo no que toca a requisitos de infraestrutura e de pessoal.
Algumas plataformas SaaS incluem a infraestrutura e a segurança no acordo de licenciamento principal, o que melhora a previsibilidade dos custos. A Shopify, por exemplo, elimina estruturas de custos inteiras da equação ao garantir que a maioria das funcionalidades críticas de que precisa está incorporada na plataforma.
Certifique-se de que mapeia claramente todos os custos adicionais e contínuos associados a cada fornecedor de plataforma que está a considerar. O custo da migração, somado às taxas de licenciamento e de manutenção contínua, equivale ao seu custo total de propriedade.
Perceba quais as integrações necessárias
Antes de selecionar outra plataforma de e-commerce, é também útil fazer o balanço de todas as tecnologias que usa atualmente e de quais delas precisam de se integrar com a nova solução.
Por exemplo, pode precisar de integrar o seu planeamento de recursos empresariais (ERP), CRM ou software de automatização de marketing atuais. Cada candidato a parceiro de e-commerce deve esclarecer o que é possível de origem e o que poderá exigir trabalho e investimento adicionais. Nalguns casos, pode existir uma app de e-commerce alternativa que represente uma opção mais económica face à sua solução atual.
Se já auditou a sua tecnologia anteriormente, utilize-a aqui para validar os requisitos de integração, em vez de repetir o exercício.
Defina como os dados serão transferidos
A transferência de dados é uma das partes mais importantes e sensíveis do processo de replatforming no e-commerce. Convém garantir que todos os dados críticos de clientes e produtos são transferidos de forma segura, rigorosa e no formato correto.
Há quatro formas de transferir dados de uma plataforma de e-commerce para outra.
- Manual, interna: a sua equipa (ou agência parceira) pode importar produtos e dados de clientes através de CSV. Costuma ser adequado para sites de menor dimensão.
- Apps: as ferramentas de migração podem automatizar a transferência de produtos, clientes e encomendas entre plataformas. As apps Shopify Store Importer, por exemplo, ajudam-no a importar produtos, clientes e histórico de encomendas para a sua loja. Os clientes da Shopify também podem usar o Store Migration para acelerar o processo de migração de dados. Outras apps populares de transferência de dados incluem o Cart2Cart, o WooCommerce Importer e o Next-Cart Store Migration.
- API: se trabalhar com uma agência parceira, as APIs proprietárias podem permitir processos de transferência de dados mais personalizados. Pergunte à sua agência parceira e ao fornecedor de soluções que apoio de API conseguem oferecer.
Antes de iniciar a transferência, faça uma cópia de segurança e desative as notificações aos clientes na plataforma de destino, para evitar confusões.
Para sites de e-commerce com grande volume, uma migração delta também é uma boa ideia. Trata-se de uma importação de dados secundária que faz mesmo antes de lançar o novo site, para contemplar as novas encomendas e os novos clientes acrescentados ao site anterior após a transferência inicial de dados.
Reúna com todas as pessoas certas
Embora seja tentador mobilizar uma grande equipa para ajudar numa migração de e-commerce, isso pode gerar ambiguidade quanto às responsabilidades.
Em vez disso, defina funções e responsabilidades claras desde o início. Para um projeto de replatforming de e-commerce de grande escala, isto pode incluir:
- Partes interessadas internas
- Parceiros de plataforma
- Equipas internas de marketing
- Equipas internas de TI
- Agências de pesquisa e marketing
- Agências de e-commerce
- Um consultor de migração
"Quando há várias agências e equipas internas envolvidas, aumentam as hipóteses de haver tarefas que escapam pela malha. Ponha o seu melhor gestor de projeto no caso, para manter tudo — e todos — no bom caminho", diz Nathan Lomax, da Quickfire Digital.
Dependendo do parceiro de e-commerce que escolher, ele pode ter especialistas internos para ajudar na gestão do projeto da sua migração. Se não tiver, pondere colaborar com um consultor de migração que o ajude a determinar quem deve estar envolvido e qual o papel de cada um.
Checklist de replatforming e migração no e-commerce
O replatforming no e-commerce é um processo intensivo em tempo, com muitas peças móveis e várias partes interessadas. Para facilitar o acompanhamento do processo, eis uma checklist de migração de e-commerce condensada e alinhada com os passos acima.
- Audite o seu site de e-commerce atual e faça o balanço de todos os problemas.
- Reúna as suas principais partes interessadas e alinhe os objetivos da migração.
- Defina as necessidades do seu negócio, os requisitos da plataforma e os objetivos de longo prazo.
- Crie um pedido de proposta (RFP) ou avalie as potenciais soluções de e-commerce.
- Planeie a sua migração e crie um plano de pré-lançamento que inclua migração de dados e conteúdos, organização dos dados, criação de novas páginas e conteúdos (se necessário) atualizações à navegação e à hierarquia do site, design do front-end e do back-end, design responsivo, mapeamento das integrações e formação da equipa
- Desenvolva um plano de migração de SEO que inclua: Considerações de SEO técnico Mapeamento de redirecionamentos (redirecionamentos 301) Definição de valores de referência (benchmarking) de tráfego e KPIs Monitorização de tráfego e KPIs após o lançamento Como vai medir problemas como erros 404, quebras de tráfego e alterações de posicionamento
- Crie um plano de lançamento que inclua testes exaustivos a toda a funcionalidade do site, links, experiência de checkout, etc., antes do lançamento, a hora exata a que o novo site entrará em funcionamento, quem estará de prevenção para iniciar o lançamento do site e resolver problemas, aceder ao seu registo de domínio e alterar a definição de tempo de vida (TTL) para o valor mais baixo possível, para garantir uma propagação rápida no dia do lançamento, lançar o site através do sistema de nomes de domínio (DNS) no dia do lançamento, bloquear a sua loja antiga ao fazer alterações de DNS, um plano de contingência caso algo falhe no processo
- Crie um plano de pós-lançamento que inclua monitorizar e testar a funcionalidade do checkout, monitorizar e testar as confirmações e notificações por e-mail, monitorizar e testar a funcionalidade de análise e relatórios, uma auditoria técnica para garantir que o sitemap XML foi transferido e que os seus códigos de análise e acompanhamento funcionam, monitorização contínua do tráfego e do posicionamento nas pesquisas, verificar novamente se os links de e-mail e os recursos para download continuam a funcionar, garantir que os fluxos do utilizador para downloads e inscrições na newsletter continuam a funcionar
- Faça cópia de segurança dos dados da sua loja atual antes da migração.
- Migre os dados da loja e confirme o seu rigor.
- Otimize a experiência de checkout.
- Realize testes funcionais e de desempenho.
- Lance o seu site e verifique o DNS, os pagamentos e o acompanhamento.
- Monitorize o desempenho após o lançamento. Nas primeiras 72 horas: encomendas, pagamentos, análise de dados, redirecionamentos. Nas primeiras duas semanas: tráfego, posicionamento, valores de referência de receita. Nos primeiros 60 dias: análise de desempenho e adoção dos fluxos de trabalho
Serviços de migração de dados e replatforming no e-commerce
Como já referido, a migração de dados de e-commerce é um componente crítico do processo de replatforming. Dependendo da complexidade, pode precisar de ferramentas especializadas ou de apoio externo para concluir este processo.
Eis algumas ferramentas e opções disponíveis para as empresas que querem migrar para a Shopify.
Apps de migração de terceiros
A Shopify App Store oferece uma variedade de apps para transferir dados de uma plataforma de e-commerce para a sua loja Shopify. Estas apps movem listagens de produtos, dados de clientes, histórico de encomendas e outras informações relevantes.
As apps de migração de terceiros da Shopify App Store podem reduzir o esforço manual para lojas com estruturas de dados-padrão.
APIs
Se o seu negócio de e-commerce tiver dimensão suficiente para ter programadores internos — ou se tiver orçamento para contratar alguns externamente — então pode criar e usar uma API para transferir os seus dados. Esta abordagem é muitas vezes utilizada por grandes lojas com muitos dados que exigem mapeamento de dados ou integrações personalizadas.
Agências parceiras
As agências parceiras de terceiros através da Shopify Partners podem apoiar empresas com recursos internos limitados ou com necessidades de migração especializadas. Estas agências podem criar um plano de migração de e-commerce personalizado, que contemple as suas necessidades atuais e futuras.
Por exemplo, a Great Little Trading Company recorreu à especialista em e-commerce Underwaterpistol para a ajudar a gerir a migração de tudo, da experiência do utilizador e do design à otimização de SEO, bem como dos dados de 800 produtos e de 1,1 milhões de registos de clientes.
Perguntas frequentes sobre replatforming no e-commerce
O que é o replatforming e a migração no e-commerce?
O replatforming no e-commerce é o processo de transferir todo um site de e-commerce e os sistemas que o sustentam de uma plataforma para outra. Isto inclui mover tudo o que está na plataforma original para a nova, como produtos, coleções, páginas, publicações de blogue e informações de clientes e de encomendas.
Quais são os passos de uma migração de e-commerce?
Os passos essenciais incluem: identificar as suas necessidades e prioridades de replatforming, reunir as partes interessadas, procurar uma nova plataforma, planear a migração, fazer cópia de segurança dos dados e conceber e desenvolver o novo site. A partir daí, vai migrar os dados da loja, otimizar a experiência de checkout, executar uma checklist de migração de SEO, testar exaustivamente, lançar e seguir uma cadência de monitorização pós-lançamento estruturada. O âmbito e o calendário variam consoante a dimensão da loja, as integrações e os recursos internos.
Quanto tempo demora o replatforming no e-commerce?
Os prazos variam muito consoante a dimensão e a complexidade da loja, as plataformas envolvidas e se está a fazer uma migração completa ou uma abordagem faseada. Lojas mais pequenas que migram para uma plataforma SaaS podem concluir o processo em 8 a 12 semanas. Migrações maiores ou mais complexas, que envolvam desenvolvimento personalizado ou requisitos multirregião, podem demorar seis meses ou mais. Trabalhar com uma agência parceira experiente ou com um consultor de migração pode ajudar a comprimir os prazos e a evitar atrasos comuns.
Porque é que as empresas de e-commerce fazem replatforming?
As empresas de e-commerce fazem replatforming quando a plataforma existente começa a limitar o crescimento em vez de o apoiar. Entre os motivos mais comuns estão problemas de desempenho recorrentes, acumulação de dívida técnica, flexibilidade limitada do checkout ou da personalização, ou custos de manutenção crescentes. Em muitos casos, o replatforming torna-se necessário quando o custo e a complexidade de manter o sistema atual superam os benefícios de modernizar.
Quanto custa o replatforming no e-commerce?
Os custos de replatforming variam muito consoante a complexidade da loja, as plataformas envolvidas e se usa recursos internos ou parceiros externos. As principais categorias de custos incluem a migração de dados, o licenciamento da plataforma, os honorários de agência, a reciclagem dos colaboradores e a manutenção contínua. Segundo um estudo Time to Value realizado com uma consultora de referência, as marcas que migram para a Shopify registam custos orçamentados de implementação, em média, 23% mais baixos do que a concorrência — e têm três vezes mais probabilidade de respeitar o orçamento.
Como protejo o SEO durante uma migração de plataforma de e-commerce?
Proteger o SEO durante uma migração exige tratá-la como uma mudança de site estruturada. Crie um mapa de redirecionamentos 1:1 abrangente para todos os URLs indexados, usando redirecionamentos 301, migre todos os metadados e dados estruturados e verifique o seu novo domínio no Google Search Console antes do lançamento. Depois da entrada em funcionamento, monitorize o Search Console diariamente durante as primeiras duas semanas, para detetar erros de rastreio, problemas de indexação ou regressões das Core Web Vitals antes que afetem o posicionamento.


